quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

PROCESSO

Fevereiro 
continua ensolarado
além da noite 
que dorme dentro.
Tenho pena da flor
jogada na calçada
após ser enfeite de festa.

Minha mãe disse:
- Tem fruta perdendo no pé.
Tem fruta madura na mesa.
Amadurecer 
é demora e surpresa.
(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


O QUE TENHO

Eu não te possuo.
O que eu tenho
sou eu,
minha sorte,
meu nome,
minha letra,
meu sentir.
Ter a mim é de 
GRANDE
responsabilidade.
Ter a mim é empenho
para sempre.
Ter a mim é cuidado,
compaixão e paciência.
Eu comigo,
continuamente.
acompanhada e só.
(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

LINHAS E PALAVRAS

A linha perpassa o tecido
e une as partes
como o divino acaricia toda a vida.
 A paz e a alegria nem sempre
estão de mãos dadas,
mas a paz permanece
como o céu que se renova
entre a claridade e a mais densa escuridão.

A humildade tem gosto
da terra em que foi gerada,
e o sorriso a graciosidade
da flor que se desfaz,
pétala após pétala
deixando-se levar pelo vento
sem contrariedade.

E cada dia como uma fagulha de luz
comunica nas extremidades
palavras banhadas na fonte.
Naquela fonte
que só emana amor, amor...
amor de verdade.


(Ir. Rosa Ramalho, fsp)

Recordando com Gratidão a vida de Ir. Tecla Merlo, 
nossa Primeira Mestra.



quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

A BELEZA

  O QUE VI, AGORA EM POESIA
Os pincéis bailam nas mãos do artista
e a terra de onde vem tem sabor.
As cores mesclam-se em orquestra
Auto-executando-se.
A Imagem toca a pele em ondas suaves.
A transparência dos dias
Confere a moldura e o prazer.
Tem calor tudo aquilo que nasce de dentro.




***
A BELEZA, O CRISTO DIVINO MESTRE

 Em vestes pascais
Teu olhar acompanha-nos.
O livro em tuas mãos apresenta-te.
Rabuni! Mestre!
Chama-nos pelo nome,
somos também Maria,
Mulheres da Ressurreição!
Tu és o Tudo!
Nada e nem ninguém além de Ti
A irradiação do teu amor
é COMUNICAÇÃO
Amor... Amor... Amor.
Nem mais uma palavra.
Amor!


***
“O DAQUI SAÍA DO TABERNÁCULO!”
 Incrustada na madeira
A Cruz repousa
Assinalando a missão.
Tu que a carregas no peito
Alimenta-te do “Pão da vida”.
Adora-o!
Parte e retorne
Sempre de novo
Buscando Nele,
Só Nele,
Aquilo que te sustenta.


***
A PALAVRA
Ladeada está a Palavra.
Escuta! Proclama!
“Guarda-a no coração”
Como a Mulher da Palavra.
Depois... sai!
Comunica!
E como o homem da Palavra
Dê a todos
“Não só o Evangelho de Deus
Mas a própria vida”!


***
A BARCA
Que barca é esta
Que acolhe a todos
Triunfantes e peregrinos?
Em novos portos
E outras terras
Atracando e sempre partindo.
“Vai mar adentro”!
Confia!


***
CLARIDADE
A transparência
Permite ver dentro
E lança o olhar fora
Para todas as assimetrias.
As plantas
Crescem e florescem
Aos teus olhos.
A cruz enquadra teu olhar
E apresenta-te o dia e a noite.


***
BRANCO NO BRANCO
A certeza sai da parede
Como o broto da semente
E cresce sem se mostrar.
Cada palavra
Relida como um livro querido
Original, sempre novo.
Pedagoga que conduz à prece
Recorda a promessa e a comunhão
Que em todas as línguas pode ser traduzida.


***
TRILOGIA
As chamas que aquecem o peito
Iluminam
Trazem de volta ao coração
A Origem: Trindade
A Meta: Caminho, Verdade e Vida
O Modo: Pobreza, Castidade e Obediência
A Totalidade: Mente, Vontade e Coração.


***
ÁRVORE SAGRADA
 Sombra, flores, frutos
E agora o Mistério!
A madeira ferida
Deixa-se modelar
E oferece-se,
Altar e Cruz!
Serviço e entrega!


***
 NOVA UNÇÃO
 As águas do Batismo
São as águas da Missão.
“Banhados em Cristo”
Passaremos
Da morte
À vida
sempre acompanhados.


CAPELA DA COMUNIDADE
DAS IRMÃS PAULINAS


Arquitetos: Lucas Volpatto e Jacqueline Manica – Studio1 Arquitetura

Iconografia: André Dimer Evaldt

Execução dos Móveis: Sr. Itacir – ITA MÓVEIS

Poesias: Ir. Rosa Ramalho, fsp

Agradecimentos: Ir. Maria Antonieta e governo provincial, Clari Puntel e 
Sr. Vital Rutkoski

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

COM O VENTO

Os olhos não foram feitos
para uma única direção
e nem o coração para 
um único sentir.

Tem dias que vejo azul.
Outros... jardins em 
infinitos tons de borboleta.
Mas tem dias...
que nuvens escuras
pairam sobre mim
prontas para uma tempestade
caudalosa, incessante.

Tem frutas que degusto
grão a grão.
Outras... por inteiro.
Estação após estação
elas retornam,
com seus mesmos 
e novos sabores
ofertando-se
apenas uma vez.

Tem coisas que a gente acha
que durariam para sempre.
Mas, com um vento suave 
e um passo em outra direção
elas se vão... voam.
Aves que não tem ninho,
palavras que morrem com lágrimas.
 (Ir. Rosa Ramalh0, fsp) 

domingo, 31 de dezembro de 2017

SOLIDÃO DE FINAL DE ANO

Os fogos brilham na cidade e na TV
e a gente se sente como:
Um livro esquecido
na prateleira empoeirada.
Uma única luz 
acesa na madrugada.
Uma andorinha 
que cruza a igreja vazia.
(Rosa Ramalho, fsp)


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

NATAL EM PORTO ALEGRE

Natal aqui tem calor,
tem Haitianos e Africanos,
Kaingangs e Guaranis,
bandeiras vermelhas e azuis,
enfeites importados e
aeroporto lotado
de gente que vem ver
o Natal no interior.

As luzes de Natal
na cidade são poucas,
porém o sol que se põe no Guaíba
brilha mais forte
e não esconde
a miséria que está entre nós.

Mas Natal aqui também
tem Anjos nas portas e
se fala de Jesus.
Pois celebrar o Natal é
celebrar a acolhida
do Filho de Deus
entre os pobres e estrangeiros.

Mazáaa, Natal aqui também
é ESPERANÇA.
Esperança de sermos melhores!

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


Natal 2017






sexta-feira, 27 de outubro de 2017

DANÇAR SÓ

Vou colocar essa chuva em palavras
E a cada passo estarei completa
Com meu céu cheio de flores
E meu pomar em amarelos tons.

Quando tem música 
Dançam meus cabelos 
Um arrepio percorre meu corpo
E pela boca saltam melodias
Viajo. Vou longe. 
Vou onde me encontrei.


(Rosa Maria Ramalho, fsp)


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

PARA SER UM OUTRO CRISTO

Voa, voa bem alto
E quando alcançares o Céu
Desce com toda velocidade
Para trazer brisa fresca
A quem vive no sertão e com sede.

O mar que contemplas é profundo
“Rema mar a dentro”
E recolhe tudo quanto puderes
Há gente morrendo de fome na margem.

E sabendo que és lua,
Recebe do sol toda claridade e calor.
Aqueles que estão na escuridão
Não sabem de sua própria luz,
É preciso que alguém os ilumine.

Como és pequena, tu semente.
Sabes como é teu processo.
Torna-te árvore.
Crianças ansiosas esperam para brincar contigo,
Pássaros querem fazer em ti, seu repouso.

E como óleo morno,
Teu olhar aquece e cura.
Sai por aí derramando vida,
Aos enfermos a procura de conforto.

Vai, vende tudo e compra aquele campo.
Lá está o teu tesouro.
Nada seja definitivo em tua vida além do Amor.
Comunica este dom
E já será o suficiente.

(Para Cristiane, Docinho)
Ir. Rosa Ramalho, fsp




terça-feira, 4 de julho de 2017

DIAS FRIOS

Nas manhãs frias
preciso revestir-me
de agasalhos e coragem.

O vento corta meu rosto
e acelera meus passos
forçando-me a ver somente
meus pés, nada mais.

Espero o sol,
espero abraço,
chá, chocolate
 e tudo o que me der calor.
Agosto me dará 
tudo o que preciso.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)