sexta-feira, 27 de outubro de 2017

DANÇAR SÓ

Vou colocar essa chuva em palavras
E a cada passo estarei completa
Com meu céu cheio de flores
E meu pomar em amarelos tons.

Quando tem música 
Dançam meus cabelos 
Um arrepio percorre meu corpo
E pela boca saltam melodias
Viajo. Vou longe. 
Vou onde me encontrei.


(Rosa Maria Ramalho, fsp)


quarta-feira, 23 de agosto de 2017

PARA SER UM OUTRO CRISTO

Voa, voa bem alto
E quando alcançares o Céu
Desce com toda velocidade
Para trazer brisa fresca
A quem vive no sertão e com sede.

O mar que contemplas é profundo
“Rema mar a dentro”
E recolhe tudo quanto puderes
Há gente morrendo de fome na margem.

E sabendo que és lua,
Recebe do sol toda claridade e calor.
Aqueles que estão na escuridão
Não sabem de sua própria luz,
É preciso que alguém os ilumine.

Como és pequena, tu semente.
Sabes como é teu processo.
Torna-te árvore.
Crianças ansiosas esperam para brincar contigo,
Pássaros querem fazer em ti, seu repouso.

E como óleo morno,
Teu olhar aquece e cura.
Sai por aí derramando vida,
Aos enfermos a procura de conforto.

Vai, vende tudo e compra aquele campo.
Lá está o teu tesouro.
Nada seja definitivo em tua vida além do Amor.
Comunica este dom
E já será o suficiente.

(Para Cristiane, Docinho)
Ir. Rosa Ramalho, fsp




terça-feira, 4 de julho de 2017

DIAS FRIOS

Nas manhãs frias
preciso revestir-me
de agasalhos e coragem.

O vento corta meu rosto
e acelera meus passos
forçando-me a ver somente
meus pés, nada mais.

Espero o sol,
espero abraço,
chá, chocolate
 e tudo o que me der calor.
Agosto me dará 
tudo o que preciso.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)





sexta-feira, 14 de abril de 2017

PRECE DE SEXTA DA PAIXÃO

Senhor,
Que eu não fique só em palavras o meu desejo.
De teu gesto, quero fazer parte.
De tua cruz, sentir o abraço
E abraçar toda carne.
Não quero elevar-te os olhos,
Sem neles carregar meus irmãos,
Suas dores, suas misérias.

De minha covardia, peço perdão.
É tão fácil ser levada pela corrente
E silenciar quando as palavras me comprometem
E me levam a um calvário.

Quão realizados são teus santos
Amados por ti e pelo pai,
Odiados pelo mundo.
Incomodas as suas palavras
Pertubadoras da ordem.

E no grande amanhecer,
Quero correr como Maria.
Gritarei que estás vivo
E que não desistes de nós,
Mesmo sabendo quem somos.


(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


RESSUSCITOU!

Na hora das trevas 
Para nós do sul
As folhas caem
Um vento constante 
Toca faces e anima peregrinos 
O jardim é sempre novo
A terra não suporta a semente.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



RESSURREIÇÃO

Não mais a pedra sobre o túmulo,
Não mais a morte sobre a vida,
Não mais a violência sobre a paz,
Não mais o ódio sobre o amor.

Aquele que é o CAMINHO, Ressuscitou!

O silêncio do túmulo
Deu lugar a hinos de alegria,
Entoados em jardins de madrugada
No dia do Senhor de todos os dias!

Aquele que é a VERDADE, Ressuscitou!

Por todos os lados há sinais...
O verde teimoso surge entre o concreto
Úteros ainda continuam gerando
Onde o comando da morte insiste.

Aquele que é a VIDA, Ressuscitou!

A vida não coube nos túmulos
E nas estruturas de morte.
Ressuscitou!
Com Ela, ressuscitamos!
Da dor, dos golpes, da miséria,
Do vazio, da injustiça!
É Páscoa! Vitória da VIDA!
(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

BREVIDADE

A minha peleia
temperei com açúcar.
No meu ir e vir
trago sementes e pausas.
Tem sabor 
tudo aquilo que soma.

Laço ata, enfeita,
aperta e solta
sorrisos e lágrimas.
Árvores guardam 
sombras e lembranças.
E as aves tem asas e pouso.

(Ir. Rosa Ramalho,fsp)


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

MEU PRESÉPIO DE PALAVRAS

A estrela 
Ilumina a noite e as faces.
Vejo Maria,
Observo José.
Os dois olham para o Menino.
Anjos cantam na terra
Melodias do céu.
Pastores admirados, alegres,
correm pelos campos.
Reis magos, bem vestidos,
jogam beijos com a mão. 
Os animais...
Ah! Os animais!
Bois, ovelhas, galo, galinhas
e toda criação.
Belém é CASA COMUM!
Chão de palha, abrigo sem portas,
acolhida de todos! 

Belém é ESPERANÇA! 

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

DOM PAULO EVARISTO ARNS

GRITA PAULO

A semente da paz
É pequena
Como é pequeno todo Paulo

A profecia dos longos dias
E o sorriso da velhice
Completam-se
Como o néctar e a flor

"De esperança em esperança"
De Páscoa  em Páscoa 
As palavras guardadas 
No papel e na vida
Também ressuscitam
Com a tua morte

Agora, de lábios cerrados 
Fala Paulo
Grita ao lado Helder, Ivo, Luciano, Aloísio...
Que a profecia não morra em nós!

(Rosa Ramalho, fsp)












quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

CHAPECOENSE - UMA QUEDA, VÁRIOS APRENDIZADOS

"Que pena que é só diante de uma tragédia que a gente aprende a ser mais humano".
Ouvi esta frase de uma amiga e fiquei pensando em tudo que ouvi nestes dias... as cenas que vi na televisão e imagens nos jornais da queda do avião do nosso time, a Chape.
Eis meus aprendizados:
 Aprendi com nuestros hermanos colombianos que solidariedade também é remédio para dor.
 Aprendi que todo mundo deve ter uma paixão extra (futebol, música, arte...) para alegrar-se e chorar por ela se for preciso.
 Aprendi que ser humano precisa de ser humano, abraçar, estar junto na dor.
 Aprendi a não olhar só para minha dor, mas também consolar o outro que também está sofrendo e ninguém perguntou pela dor dele (só uma mãe é capaz disso, como a D. Ilaídes, mãe do Danilo).
 Aprendi que não se pode adiar amor, e se for possível deve-se dizer a cada instante "Eu te amo!" com palavras e gestos.
 Aprendi que toda ocasião, mesmo de derrota, pode ser uma vitória.
Aprendi o que ninguém precisaria explicar... muitas tragédias poderiam ser evitadas se fossemos mais gente, mais irmãos e menos capitalistas.
 Aprendi e entendi para que eu ganhei a vida: para ser gente, humana. E ser humana é viver e aprender a viver!

(Rosa Maria Ramalho, fsp)