terça-feira, 4 de julho de 2017

DIAS FRIOS

Nas manhãs frias
preciso revestir-me
de agasalhos e coragem.

O vento corta meu rosto
e acelera meus passos
forçando-me a ver somente
meus pés, nada mais.

Espero o sol,
espero abraço,
chá, chocolate
 e tudo o que me der calor.
Agosto me dará 
tudo o que preciso.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)





sexta-feira, 14 de abril de 2017

PRECE DE SEXTA DA PAIXÃO

Senhor,
Que eu não fique só em palavras o meu desejo.
De teu gesto, quero fazer parte.
De tua cruz, sentir o abraço
E abraçar toda carne.
Não quero elevar-te os olhos,
Sem neles carregar meus irmãos,
Suas dores, suas misérias.

De minha covardia, peço perdão.
É tão fácil ser levada pela corrente
E silenciar quando as palavras me comprometem
E me levam a um calvário.

Quão realizados são teus santos
Amados por ti e pelo pai,
Odiados pelo mundo.
Incomodas as suas palavras
Pertubadoras da ordem.

E no grande amanhecer,
Quero correr como Maria.
Gritarei que estás vivo
E que não desistes de nós,
Mesmo sabendo quem somos.


(Ir. Rosa Ramalho, fsp)


RESSUSCITOU!

Na hora das trevas 
Para nós do sul
As folhas caem
Um vento constante 
Toca faces e anima peregrinos 
O jardim é sempre novo
A terra não suporta a semente.

(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



RESSURREIÇÃO

Não mais a pedra sobre o túmulo,
Não mais a morte sobre a vida,
Não mais a violência sobre a paz,
Não mais o ódio sobre o amor.

Aquele que é o CAMINHO, Ressuscitou!

O silêncio do túmulo
Deu lugar a hinos de alegria,
Entoados em jardins de madrugada
No dia do Senhor de todos os dias!

Aquele que é a VERDADE, Ressuscitou!

Por todos os lados há sinais...
O verde teimoso surge entre o concreto
Úteros ainda continuam gerando
Onde o comando da morte insiste.

Aquele que é a VIDA, Ressuscitou!

A vida não coube nos túmulos
E nas estruturas de morte.
Ressuscitou!
Com Ela, ressuscitamos!
Da dor, dos golpes, da miséria,
Do vazio, da injustiça!
É Páscoa! Vitória da VIDA!
(Ir. Rosa Ramalho, fsp)



terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

BREVIDADE

A minha peleia
temperei com açúcar.
No meu ir e vir
trago sementes e pausas.
Tem sabor 
tudo aquilo que soma.

Laço ata, enfeita,
aperta e solta
sorrisos e lágrimas.
Árvores guardam 
sombras e lembranças.
E as aves tem asas e pouso.

(Ir. Rosa Ramalho,fsp)